Setembro Amarelo: um olhar para a saúde emocional de quem está na linha de frente da segurança
No mês em que a saúde mental ganha ainda mais espaço nas discussões por meio do Setembro Amarelo, a Guarda Civil Municipal de Cabo Frio mantém uma iniciativa que já faz parte da rotina de agentes que atuam diretamente no atendimento à população e no enfrentamento de situações de violência.
Por algumas horas, a rotina de ocorrências, patrulhamento e atendimento à população fica do lado de fora da sala. No lugar dela, entram a conversa, a escuta e a possibilidade de falar sobre situações que fazem parte do trabalho, mas que nem sempre encontram espaço na correria do dia a dia.
É assim que funciona o projeto de atendimento psicológico voltado aos agentes da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU) e da Patrulha Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal de Cabo Frio. A iniciativa começou no dia 4 de maio e é fruto de um termo de cooperação entre as secretarias de Políticas para as Mulheres e de Segurança e Ordem Pública de Cabo Frio. Os encontros semanais de terapia em grupo são realizados na sede do Grupo de Apoio ao Idoso (GAI), no bairro Parque Riviera.
A proposta é oferecer aos profissionais um espaço para compreender melhor as próprias emoções, reações e comportamentos diante das situações vivenciadas no trabalho, além de favorecer a escuta e a compreensão entre os integrantes das equipes.
Para o agente R. Santos, da Romu, o acompanhamento também tem reflexos na forma como os profissionais se relacionam com a população. “Para que possamos cuidar bem da nossa cidade, temos que cuidar bem de nós mesmos. Conhecer a nossa própria mente, conhecer a nossa própria mentalidade, conhecer o nosso próprio interior, faz com que a gente tenha um cuidado maior com o trato com o cidadão”.
Os encontros são conduzidos pelo psicólogo Arilson Assunção, profissional do Grupo Reflexivo Homem, serviço que já realiza acompanhamento psicológico com homens autores de violência encaminhados por determinação judicial. A experiência profissional com conflitos, relações e comportamentos relacionados à violência também é utilizada como base para o trabalho com os agentes.
Além do projeto voltado à Romu e à Patrulha Maria da Penha, a Guarda Civil Municipal conta com outras iniciativas de atenção à saúde dos agentes. O Núcleo de Saúde oferece atendimento psicológico individual, com acompanhamento semanal para os profissionais da corporação.
No mês passado, Cabo Frio também passou a integrar o Projeto Escuta SUSP, iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que amplia as ações de cuidado e atenção à saúde mental dos profissionais de segurança pública.
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