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Encontro promove reflexão sobre autoestima, desejo e relacionamentos após a maternidade


A Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres promoveu, nesta quinta-feira (28), mais uma edição do Circuito Elas por Elas, na sede da secretaria, em Macaé, com o tema “Redescobrindo o corpo e o desejo: a vida sexual após a maternidade”. O encontro reuniu participantes para um diálogo sobre autoestima, sexualidade, relacionamentos e qualidade de vida no pós-parto, com orientações da médica terapeuta sexual e de relacionamento Nairacyr Gervási.

“Nosso objetivo com o Circuito Elas por Elas é abrir espaços de acolhimento, escuta e troca de experiências sobre temas que fazem parte da vida das mulheres e que muitas vezes ainda são pouco debatidos. Cada encontro é pensado para fortalecer a autoestima, o bem-estar e a qualidade de vida feminina em diferentes fases da vida”, destacou a secretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Quelen Rezende.

A secretária informou que a proposta do circuito é justamente ampliar essas discussões e levar informação para as mulheres sobre assuntos diversos, como saúde emocional, relacionamentos, autocuidado, maternidade e desenvolvimento pessoal, promovendo reflexão e fortalecimento feminino.
A coordenadora do Espaço Mulher Cidadã, Jane Roriz, acrescentou que o espaço também atua no fortalecimento da autoestima e na inserção da mulher no mercado de trabalho. Segundo ela, a proposta é promover temas diversos que contribuam para o conhecimento e o empoderamento feminino.

“A informação liberta. Por isso, buscamos sempre trazer assuntos diferentes para nossas alunas e para as mulheres da comunidade, para que elas se apropriem dessas temáticas e também conheçam os serviços oferecidos pelo espaço”, observou.

A médica terapeuta sexual e de relacionamento Nairacyr Gervási assinalou durante o Circuito Elas por Elas que as mudanças provocadas pela maternidade impactam diretamente a autoestima e a sexualidade feminina.
Segundo ela, no pós-parto, muitas mulheres passam a enxergar o próprio corpo de forma diferente, especialmente após alterações físicas decorrentes da gestação.

“Essa alteração da imagem corporal pode fazer com que a mulher se sinta menos desejável e encontre imperfeições no próprio corpo, dificultando que ela se sinta à vontade para voltar a se relacionar sexualmente”, explicou.

A especialista também pontuou que as inseguranças relacionadas ao processo do parto podem gerar ansiedade e dificultar a retomada da vida íntima.

Alterações hormonais e emocionais são abordadas
Nairacyr também chamou atenção para as alterações hormonais e emocionais vivenciadas nesse período. De acordo com ela, a diminuição dos níveis de estrogênio e o aumento da prolactina, especialmente durante a amamentação, podem afetar a mulher.

“Além das mudanças hormonais, existe o cansaço físico e emocional da rotina com o bebê. Muitas vezes toda a atenção da mulher está voltada para os cuidados com a criança, o que faz com que ela deixe de pensar na relação sexual e até mesmo nas trocas de afeto com o parceiro”, ressaltou.

Durante o encontro, a médica orientou que o processo de reconexão com a sexualidade deve acontecer com respeito ao tempo de cada mulher. A especialista ainda ressaltou que a fisioterapia pélvica e os exercícios para fortalecimento do assoalho pélvico podem auxiliar na recuperação física e no fortalecimento da autoestima.
Ao abordar a importância de discutir o tema de forma aberta, Nairacyr enfatizou que muitas mulheres acabam anulando a própria identidade feminina após a maternidade.

“O papel de mãe não substitui o papel de mulher. Quando a mulher vive apenas a maternidade e negligencia outras áreas da vida, isso pode gerar crises emocionais e existenciais no futuro”, alertou.

A terapeuta também frisou que investir na sexualidade feminina e nos relacionamentos saudáveis contribui para a qualidade de vida, o bem-estar emocional e até para a longevidade.

“Falar sobre sexualidade após a maternidade é investir na mulher como um todo, na sua identidade, autoestima e também na construção de relações mais saudáveis”, concluiu.

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