Mulheres cientistas são tema da Feira de Ciências da Educação
A Escola Municipal Paulo Freire, localizada no Bairro Lagomar, transformou-se, nestas quinta (24) e sexta-feira (25), em polo de debates científicos e reflexão social com a Feira de Ciências, que é realizada pela rede municipal de ensino este ano. Com o tema “Ciências Delas – as Mulheres Cientistas em Destaque”, a Feira de Ciências na escola mobilizou alunos em torno da importância de reconhecer o legado feminino na história da humanidade e na produção de respostas práticas para melhorar a vida das pessoas no mundo. Serão selecionados quatro trabalhos que vãorepresentar a escola na Feira de Ciência, Inovação e Tecnologia de Macaé (Fecimac), que será promovida pela Secretaria Municipal de Educação. Todos os participantes da Feira na unidade receberão certificados e haverá premiação para os trabalhos.
A imersão no tema central guiou os estudantes da Paulo Freire por trajetórias brilhantes de mulheres que revolucionaram suas áreas. Um dos grupos resgatou o legado da britânica Ada Lovelace, reconhecida historicamente como a primeira programadora do mundo, responsável por criar o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina. Os alunos do 8º ano aplicaram a lógica dos algoritmos programando caminhos práticos em um tabuleiro e, utilizando palavras de ordem como construir, programar, testar e executar, alcançaram uma compreensão clara e prática sobre o conceito de computação, conforme relatado pela aluna Geovana Santos, de 13 anos.
Em outra vertente, a matemática norte-americana Katherine Johnson — cujos cálculos de mecânica orbital na Nasa foram fundamentais para o sucesso dos primeiros voos espaciais tripulados dos Estados Unidos — também foi homenageada, inspirando os jovens a perceberem como a matemática aplicada abre fronteiras para o avanço tecnológico da humanidade.
O impacto direto da ciência na saúde humana e no bem-estar social foi o foco de apresentações marcantes na feira. Os estudantes Davi Lucas e Maria Luiza, ambos com 13 anos e cursando o 7º ano, emocionaram os visitantes ao apresentar o trabalho da cientista e bióloga brasileira Tatiana Coelho de Sampaio. Os alunos detalharam o desenvolvimento da polilaminina, uma molécula biológica inovadora que atua como um “andaime” biológico para guiar a regeneração de tecidos nervosos e abrir uma esperança real para que pessoas paraplégicas e tetraplégicas recuperem movimentos e sensibilidade após lesões graves na medula espinhal.
O evento também abriu espaço para discussões profundas sobre saúde pública e segurança de gênero ao abordar a história de Florence Nightingale, a pioneira que transformou a Enfermagem em uma prática baseada em conhecimentos científicos e dados estatísticos. Utilizando essa metodologia analítica, as turmas traçaram paralelos com a alarmante realidade nacional dos casos de feminicídio no Brasil, que saltaram de 1.437 registros em 2022 para 1.568 casos notificados no ano de 2025, integrando a conscientização social ao ambiente científico.
Conectado diretamente à realidade geográfica e social do Lagomar, uma das apresentações que mais geraram curiosidade e engajamento do público externo tratou do convívio com a fauna local. A diretora-adjunta Eliares Oliveira pontuou que a escola identificou que muitas famílias do bairro costumam criar cobras em suas residências, o que motivou a equipe a trazer o assunto para o debate de segurança biológica. O estudante do 6º ano João Pedro Rangel Gomes, de 14 anos, que compartilha o sonho de se tornar biólogo, levou à feira um dos répteis de sua família: uma jiboia BCC de quatro meses que mede atualmente 60 centímetros, mas que pode chegar a até 2,5 metros na fase adulta.
João Pedro explicou didaticamente aos visitantes que o animal foi adquirido legalmente em um criatório/terrário autorizado e regulamentado pelos órgãos ambientais competentes, destacando os cuidados rigorosos de manejo, higiene, alimentação e segurança necessários para manter o réptil domesticado sem oferecer riscos aos moradores. A presença do animal atraiu visitantes e alunos, que puderam tocar na pele da jiboia, observar seu comportamento e desmistificar preconceitos sobre a espécie, fechando o evento como um exemplo prático de como o conhecimento escolar se conecta com a vivência diária da comunidade.
Toda a escola se envolveu para realizar o evento
As apresentações no primeiro dia envolveram turmas do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental II, nos turnos da manhã e da tarde, enquanto a sexta-feira foi dedicada aos alunos do Fundamental I (1º ao 5º anos). Sob a liderança da diretora-geral Simone Viana de Carvalho e da diretora-adjunta Eliares Oliveira, os grupos de estudantes realizaram pesquisas aprofundadas, apresentando os resultados de forma escrita e oral para a comunidade escolar. Como novidade pedagógica nesta edição, os alunos também foram desafiados a produzir um relatório formal com suas impressões e aprendizados sobre o evento, valendo nota para as disciplinas envolvidas.
A feira ganha um significado ainda maior quando contextualizada no perfil da Escola Municipal Paulo Freire, que atende atualmente 1.400 alunos e consolida-se como um espaço inclusivo ao acolher 222 estudantes PcDs (Pessoas com Deficiência). Oferecendo turmas nos períodos da manhã e da tarde, além da modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no turno da noite até as 21h — cujos estudantes terão um evento científico próprio programado para o final deste ano —, a unidade reforça seu papel de transformação social.
De acordo com a diretora-geral, Simone Viana de Carvalho, o engajamento estudantil vai além dos dias de evento, já que, no contraturno escolar, os jovens participam ativamente da logística da unidade, produzem vídeos e dividem tarefas coletivas. Essa dinâmica, segundo a educadora, ajuda a despertar talentos e promove a formação cidadã, fazendo com que os alunos se sintam úteis, valorizados e integrados à rotina de aprendizado por passarem a maior parte do tempo protegidos e estimulados no ambiente escolar.
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